quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ne me quitte pas.

Eu tento não pensar, mas é a única coisa que não sai da minha cabeça nunca. É aquela frase clichê, mas verdadeira: Como posso tirar da minha cabeça alguém que não sai do meu coração? Parece uma frase dita por uma menina boba de dez anos de idade que está apaixonada por alguém da escola. Mas na semana seguinte essa mesma menina nem lembra mais desse alguém. A paixão é um sentimento passageiro, o amor não. E eu que já fui apaixonada umas boas vezes, sei diferenciar as coisas agora. Percebo que o que eu sentia por essas paixões irrelevantes não era absolutamente nada perto do que eu sinto hoje, e quando me dou conta as lágrimas já molham os meus olhos. Todos os dias eu procuro acordar conformada, mas quanto mais eu tento menos eu consigo me convencer. Tudo me lembra, tudo. Desde o objeto mais insignificante, até o cigarro. Me tornei fumante por um motivo que parece até uma desculpa, mas não é. O cigarro me traz a nostalgia só de olhar alguém tragando na rua, e por mais que ele detone os meus pulmões eu não consigo mais parar. Porque fumando eu sinto ele ao meu lado, e se eu fechar os meus olhos até consigo acreditar com uma falsa convicção de que na verdade aquele cheiro de nicotina vem dele, e não de mim. Fumar é prazerosamente deprimente. Me faz lembrar do melhor e pior sentimento do mundo... E se agora só o desagradável cheiro do cigarro queimando me faz voltar a isso, vou fumar para sempre. Sem culpa. Largo o cigarro no dia que tiver o amor. Isso se a nicotina não me aprisionar antes disso acontecer.