quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Ne me quitte pas.
Eu tento não pensar, mas é a única coisa que não sai da minha cabeça nunca. É aquela frase clichê, mas verdadeira: Como posso tirar da minha cabeça alguém que não sai do meu coração? Parece uma frase dita por uma menina boba de dez anos de idade que está apaixonada por alguém da escola. Mas na semana seguinte essa mesma menina nem lembra mais desse alguém. A paixão é um sentimento passageiro, o amor não. E eu que já fui apaixonada umas boas vezes, sei diferenciar as coisas agora. Percebo que o que eu sentia por essas paixões irrelevantes não era absolutamente nada perto do que eu sinto hoje, e quando me dou conta as lágrimas já molham os meus olhos. Todos os dias eu procuro acordar conformada, mas quanto mais eu tento menos eu consigo me convencer. Tudo me lembra, tudo. Desde o objeto mais insignificante, até o cigarro. Me tornei fumante por um motivo que parece até uma desculpa, mas não é. O cigarro me traz a nostalgia só de olhar alguém tragando na rua, e por mais que ele detone os meus pulmões eu não consigo mais parar. Porque fumando eu sinto ele ao meu lado, e se eu fechar os meus olhos até consigo acreditar com uma falsa convicção de que na verdade aquele cheiro de nicotina vem dele, e não de mim. Fumar é prazerosamente deprimente. Me faz lembrar do melhor e pior sentimento do mundo... E se agora só o desagradável cheiro do cigarro queimando me faz voltar a isso, vou fumar para sempre. Sem culpa. Largo o cigarro no dia que tiver o amor. Isso se a nicotina não me aprisionar antes disso acontecer.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Minha solidão me dói.
Estou sentindo falta de conhecer pessoas interessantes. Posso contar nos dedos de uma única mão as pessoas realmente interessantes que conheci durante a minha vida. Quando eu saio e observo as pessoas que me cercam começo a me sentir cada vez mais só. As pessoas são vazias, iguais. Parecem não ter opinião própria, porque gostam do que os outros gostam. Me sinto uma pessoa deslocada diante de tantos "idiotas". Não gosto de quem se contenta com qualquer coisa. Não gosto da massa. Gosto das pessoas que se destacam por não pensarem como todo mundo. O comum não consegue me atrair e sei que por esse motivo sempre tive pouquíssimos amigos, na verdade quase nenhum. Colegas são vários. Mas colegas não são amigos e muito menos pessoas interessantes. Alguém com quem eu possa sentar e conversar sobre qualquer assunto. E não alguém que senta ao meu lado para falar do lugar que todos estão frequentando no momento, futebol, ou ainda quantas pessoas beijou na noite anterior... Como se eu realmente estivesse muito interessada nisso. Gosto de lugares que ninguém conheça. Esses lugares que só eu e meia dúzia de pessoas ouviram falar. Um lugar que eu possa ouvir uma música boa, em paz. Um lugar calmo e vazio. Nada muito lotado. Não gosto muito de pessoas e nem de lugares muito badalados. Também não gosto de futebol, mas até assisto uma vez ou outra. Não mata. E beijar uma pessoa só pra fazer número é tão... banal. Nunca vou conseguir ser assim. Não me preencheria. E o pior é ter que me submeter a essa convivência para fugir da minha própria solidão, que apesar de sutilmente agradável, as vezes acaba me sufocando mais do que deveria. Me sinto sozinha em um mundo onde todos parecem pensar e agir exatamente igual. Nem as pessoas me surpreendem mais.
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