Escrever sempre aliviou minhas tristezas, e até hoje eu não sei porque. Hoje é dia de mudança, de lugar. Pode ser um dia triste ou feliz dependendo de para onde você estiver indo... O meu é triste, mas isso não me surpreende mais. Eu sempre acabo lembrando do dia em que me mudei, para ficar. E agora vou lembrar do dia em que me mudei, para ir. Lembro de tudo que eu vivi dentro daquele lugar. Agora sim posso usar a palavra nostalgia corretamente. Quando vim para de onde hoje estou saindo, chorei. Eu era criança e pensava que não fosse conseguir viver sem o lugar de onde eu saí. Sem o silêncio do bairro, sem a árvore que tinha em frente a minha janela, e especialmente, sem a minha vizinha. A única amiga sincera que eu já tive em um prédio. Nunca morei em uma casa, e hoje estou indo morar em uma. A casa da minha avó, minha segunda mãe. E apesar disso, não queria ter que precisar ir pra lá. Aqui não é um bairro silencioso, pelo contrário. Na hora do rush devem ter pelo menos uns quinze carros buzinando. Juntos. Não tem uma árvore em frente a minha janela ao ponto dos galhos invadirem o apartamento as vezes. Na verdade não tem nada em frente além dos fios elétricos que ligam um poste ao outro. E a minha vizinha... Ah, ela era muito chata. Nunca pensei que pudesse vir a sentir falta disso. Hoje eu choro por ir embora daqui, e não sei por quanto tempo a sensação que eu estou sentindo agora vai morar em mim. Mudanças podem ser positivas ou negativas. Essa é imprevisível.
Pronto, já me sinto um pouco, mas muito pouco aliviada. Estou esperando o caminhão, que junto dos móveis vai levar as minhas lembranças, pra sempre.
